AVC: tratamentos evoluíram, mas as chances de cura dependem de uma corrida contra o tempo

AVC: tratamentos evoluíram, mas as chances de cura dependem de uma corrida contra o tempo

Em 29 de outubro é destacado o Dia Mundial de Combate ao AVC, segunda principal causa de morte no Brasil

O tempo avança e a saúde ganha aliados no combate a doenças e males súbitos que no passado eram considerados quase que uma sentença de morte. É o caso do Acidente Vascular Cerebral (mais conhecido como AVC), uma alteração súbita do fluxo de sangue dentro da cabeça, que pode entupir ou romper um vaso sanguíneo fazendo uma isquemia, ou hemorragia, respectivamente. Os principais sintomas são boca torta, perda de força e/ou sensibilidade em um lado do corpo, dificuldade para falar ou entender o que os outros falam. Em alguns casos, o paciente fica totalmente sem fala.

Antigamente, a quem sofria o mal, restava apenas aguardar uma melhora ou piora fatal no quadro de saúde; hoje, a situação é reversível em grande parte dos casos. Para garantir as chances de sobrevivência sem sequelas, a regra mais importante é: levar o paciente ao atendimento médico o mais rápido possível após a identificação do início do AVC. De acordo com a médica neurologista e coordenadora da NeuroAnchieta, Letícia Rebello, pacientes que são tratados dentro da primeira hora de sintomas têm mais de 80% de chance de recuperação completa.

Existem medicamentos que, quando administrados logo após o início dos sintomas até quatro horas e meia, podem restabelecer a circulação cerebral, evitando, assim, sequelas e morte. A neurologista destaca que atualmente duas modalidades de tratamento têm sido bastante eficientes para reverter o AVC e garantir boa evolução no tratamento. Uma delas é uma medicação trombolítica chamada Alteplase que, quando aplicada na veia do paciente em até quatro horas e meia após o AVC isquêmico, pode dissolver o trombo formado dentro do vaso. A outra modalidade, a trombectomia mecânica, ganhou relevância nos últimos anos com resultados significativos em redução de sequelas e óbitos. Ela se caracteriza pela remoção mecânica do trombo na cabeça por meio de um tipo de cateter.

“Embora já tenha evidências científicas de possibilidade de aumento da janela terapêutica no tratamento do AVC (tempo que se pode oferecer tratamento para o paciente), é fundamental que se saiba que quanto mais rápido for o atendimento médico e por equipe capacitada, maiores são as chances de recuperação e redução de risco de óbito”, explica a médica.

 

Prevenção e fatores de risco

Uma boa notícia é que pode ser possível reduzir em até 90% os casos de AVC se os principais fatores de risco forem controlados. Além do sedentarismo, do tabagismo e da obesidade, é preciso ficar atento a outras causas que levam ao AVC, como hipertensão arterial e colesterol alto, descontrole do diabetes e arritmias cardíacas.

Pacientes mais idosos, com histórico de AVC na família, integram um grupo de maior risco. Segundo Letícia Rebello, a prevenção é fator fundamental na redução dos casos. “A prática de atividades físicas, aliada a uma dieta saudável, é o caminho para evitar o sedentarismo e combater a obesidade e o controle de fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol e doenças cardíacas. Essas são as melhores formas de prevenção”, afirma.

 

Reabilitação 

Dentro do contexto de ocorrência do AVC, tão importante quanto a prevenção e o tratamento, é a reabilitação. “É fundamental que os pacientes sejam submetidos a sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional após o evento para aumentar a possibilidade de melhora da qualidade de vida e da independência destes pacientes”, destaca Letícia Rebello.

Cuidado para a brincadeira não virar acidente

Cuidado para a brincadeira não virar acidente

Em época de férias, especialistas alertam para os riscos de traumatismos infantis e reforçam as orientações de prevenção

No período de férias escolares, a diversão faz parte do dia a dia da criançada. Com mais tempo livre, as brincadeiras costumam ser acompanhadas dos colegas e em locais variados e, até mesmo, em casa. Mas, atenção! O momento pede mais cuidado dos adultos. Isso porque elas acabam ficando mais expostas ao risco de traumas e lesões causados por ações violentas, seja química ou física, como quedas, batidas, intoxicação e queimaduras.

Segundo o neurocirurgião da NeuroAnchieta/Hospital Anchieta, André Borba, se não houver atenção desde o início, existe o risco de problemas graves. “O trauma pode causar desde um pequeno incômodo até uma lesão intracraniana. É preciso atenção integral à criança. Até ações consideradas simples, como brincar no pula-pula ou crianças correndo que acidentalmente batem a cabeça, podem gerar traumas críticos”, alerta.

Um dos problemas mais comuns em crianças é o traumatismo craniano. Em crianças, as quedas podem ser causas de lesão cerebral. Em alguns casos de crianças pequenas, esses traumas podem ser um dos primeiros sinais de abusos ou maus-tratos.

“Embora existam mecanismos anatômicos que relativamente protegem a criança vítima de trauma, nem sempre são suficientes. Quando ocorre essa situação, a criança pequena pode não conseguir transmitir a gravidade do problema por apresentar limitações óbvias na comunicação. Então, os pais precisam ficar alertas a alguns sinais, tais como mudança no padrão alimentar e de sono, irritabilidade, vômitos, choros aparentemente sem motivo e qualquer alteração no comportamento habitual”, reforça o neurocirurgião André Borba.

De acordo com a médica Viviana Sampietro Serafim, da UTI Neonatal e Pediátrica do Hospital Anchieta, a prevenção é o melhor que se pode fazer pelas crianças. “Como se encontram em fase de crescimento e desenvolvimento, estão sujeitas a diferentes formas de trauma craniano, que vão desde aqueles ocorridos por acidentes automobilísticos ou até quedas na própria casa. Por isso, a necessidade de o responsável jamais deixar crianças menores sozinhas. No caso de transporte, é obrigatório utilizar os sistemas de segurança de que o veículo dispõe”, diz.

Ela lembra que na internação, os casos complexos envolvendo alto impacto e com lesões em vários segmentos, abrange uma equipe composta por cirurgião especializado, além de ortopedista e neurocirurgião. “Desde o atendimento emergencial, os pediatras têm conhecimento da fisiopatologia para assegurar o melhor manejo de crianças com traumatismo”, complementa.

E quando o paciente é liberado, os familiares ou responsáveis são orientados com relação a eventuais alterações que possam ocorrer. “Felizmente, a maioria dos casos tem boa recuperação e sem maiores sequelas. Caso anormalidades venham a surgir após a alta, especialmente em lactentes de baixa idade, recomenda-se o retorno imediato ao hospital”, conclui a médica.

Dicas importantes para evitar traumatismo infantil:

  • Uso de capacetes para ciclismo, skate, patins, hipismo;
  • Travar a grade do berço
  • Travar a alça e usar o cinto do bebê conforto;
  • Colocação de redes ou barras nas janelas;
  • Não utilizar andadores;
  • Evitar que a criança se aproxima de lajes ou vãos livres altos;
  • Evitar que a criança se aproxima de portões próximos a escadas;
  • Uso de cinto de segurança e acessórios apropriados para crianças no banco traseiro dos automóveis;
  • Atenção para o uso correto e necessário de bebês-conforto, cadeirinhas e assentos elevadores de acordo com a idade da criança;
  • Evitar crianças menores de doze anos no banco da frente. O próprio air bag do carro pode ser causa de trauma para esses pequenos.

O principal tratamento do trauma na criança é impedir que ele aconteça. Essa responsabilidade é sempre dos adultos, por mais levado que seja o pequeno.